Fiol e obras do PAC devem melhorar gargalo de escoamento no Matopiba

Setor produtivo acompanha andamento de Fiol e obras do PAC de olho na ampliação da logística e desenvolvimento para o agro

Um dos mais importantes corredores do agro do Matopiba será amplamente beneficiado com as obras do PAC, principalmente no que diz respeito à logística e escoamento. A região, que inclui Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia é uma das que mais cresce em produção, com 35 milhões de toneladas de grãos ao ano. 

Um dos maiores empreendimentos ferroviários do Brasil, com 1.500 km de extensão, a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) é uma dessas obras.

A ferrovia é composta por três trechos e será a conexão entre o futuro Porto de Ilhéus, no litoral sul da Bahia, à cidade de Mara Rosa, em Goiás. 

O ponto inicial do percurso originalmente era Figueirópolis, no Tocantins. Mas a cidade goiana foi avaliada como uma melhor opção para o porto, de acordo com a Infra S.A., construtora responsável pela Fiol.

De acordo com Jorge Bastos, diretor presidente da empresa, a expectativa é de concluir a Fiol em até no máximo um ano e meio.

Fiol

O trecho 1 da ferrovia tem 537 quilômetros e liga as cidades de Ilhéus e Caetité, na Bahia. O percurso está sob responsabilidade do concessionário desde 2021, a Bahia Mineração (Bamin).   

O trecho 2 da Fiol, que liga Caetité a Barreiras, também na Bahia, está com as obras em andamento, enquanto o trecho 3 , que vai de Barreiras a Mara Rosa, ainda aguarda a obtenção da licença de instalação. 

Dentro do contrato de concessão, a Bamin é responsável por concluir as obras e realizar a operação, como afirma Gustavo Cota, diretor de operações ferroviárias da empresa. Segundo ele, a construtora assumiu a obra com 70% pronta.

 “Já tinha um avanço significativo e nós retomamos as obras no mês de julho”, conta o diretor. A empresa também é responsável pela implantação da mina em Caetité e do Porto Sul em Ilhéus.

O cronograma integrado de mina, ferrovia e porto hoje prevê o início das operações em 2027.

Ainda de acordo com a Bamin, a ferrovia é um equipamento logístico de alta capacidade e eficiência. Atributos que beneficiarão o setor da mineração. 

“O pico de produção de minério de ferro previsto dentro do projeto é de 26 milhões de toneladas por ano. A ferrovia é capaz de transportar 60. Ou seja, a Bamin vai utilizar menos da metade da capacidade da ferrovia”, afirma Gustavo Cota.

Aeroporto de Barreiras

A Fiol é uma das obras mais importantes contemplada pelo novo PAC, mas o plano inclui também diversos outros projetos e ampliações em infraestrutura e transportes na Bahia.

A BR-242, que liga dois dos principais polos agropecuários do estado, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, por exemplo, será duplicada.

A duplicação é uma demanda antiga do setor produtivo regional e de toda a sociedade, já que o grande tráfego de veículos pesados na rodovia tem causado muitos acidentes.

O aeroporto de Barreiras, único do oeste da Bahia, também tem projeto de requalificação que está sendo elaborado junto à Secretaria de Infraestrutura da Bahia (Seinfra).

De acordo com o governo do estado, a reforma vai permitir que o aeroporto receba aeronaves com capacidade para até 190 passageiros, o que não acontece atualmente.

Já temos garantidos no PAC R$ 65 milhões em negociação que serão utilizados no terminal de passageiros e pista. Nós estamos negociando porque esses valores podem ir para algo da ordem dos R$90 milhões”, diz o secretário da Casa Civil da Bahia, Afonso Florence.

Impactos no setor

Segundo com o vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), a intermodalidade é essencial para garantir o escoamento da produção agrícola e atender demais demandas importantes do setor no estado que produz 13 milhões de toneladas de grãos por ano. 

Em torno de 30% da soja produzida aqui é exportada por outros estados, como o Maranhão, o que segundo o produtor evidencia a deficiência do escoamento do estado da Bahia e também da capacidade portuária. 

“A Fiol linkando à Fico, que é a ferrovia que junta o estado de Goiás e Mato Grosso, potencializará os portos da Bahia e a criação também de novos portos para atender a toda essa demanda”

Moisés Schmidt, vice-presidente da Aiba

Juntos, Mato Grosso, Goiás e Bahia totalizam quase 45% da produção do agronegócio brasileiro. 

Schmidt acredita ainda que fazer a commodity chegar até o porto com mais eficiência e economia é um dos maiores desafios do agronegócio baiano. Para conseguir esse objetivo, será necessário também o investimento do governo do estado.  

“Nosso objetivo é tornar a Bahia competitiva a nível de Brasil nas questões portuárias”, finaliza ele.