Geólogos da IMC acharam ítrio em 36?s terras raras de um furo em Itarantim, na Bahia, quase 4 vezes a mediana dos 870 furos do projeto

Geólogos da IMC acharam ítrio em 36?s terras raras de um furo em Itarantim, na Bahia, quase 4 vezes a mediana dos 870 furos do projeto
Geólogos da IMC acharam ítrio em 36?s terras raras de um furo em Itarantim, na Bahia, quase 4 vezes a mediana dos 870 furos do projeto

A IMC Rare Earths achou ítrio em teor alto em dois pontos do projeto Itarantim, no sul da Bahia. Num deles, o metal aparece a apenas 2 metros da superfície, na argila.

O anúncio foi feito pela empresa nesta quinta-feira (29), em comunicado divulgado em São Paulo. A IMC tem ações na bolsa NYSE American, em Nova York, e o Itarantim é o seu principal projeto.

No furo AD-00555, do Bloco H, os geólogos encontraram 7 metros com 2.052 partes por milhão de óxido de ítrio, começando a 2 metros de profundidade. Num trecho de 1 metro, o teor chegou a 3.099 ppm.

36% das terras raras do furo são ítrio

O dado que chamou a atenção da empresa não é só o teor. No intervalo do Bloco H, o ítrio responde por 36% de todos os óxidos de terras raras medidos, contra uma mediana de cerca de 10% no banco de dados do projeto.

Esse banco reúne mais de 870 furos feitos em Itarantim. Segundo a IMC, as duas zonas novas estão entre os maiores teores de ítrio já registrados em todo esse conjunto de perfurações.

Em seis amostras do Bloco H, o ítrio passou do limite de medição do laboratório. Por isso, a extração estimada nesses pontos foi calculada a partir de outras terras raras pesadas, e não medida diretamente.

Bloco D terminou ainda mineralizado

A segunda zona fica no Bloco D. O furo AD-00403 cortou 13 metros com 1.287 ppm de óxido de ítrio a partir de 14 metros de profundidade, com um trecho de 3 metros a 2.464 ppm.

O furo parou aos 27 metros ainda dentro da mineralização, ou seja, a zona pode continuar mais para baixo. A empresa planeja um furo de sondagem diamantada para testar o que existe sob o morro, além do alcance do trado.

Dentro desse intervalo, 9 metros tiveram média de 982 ppm, com extração estimada de 84% do ítrio. Os 13 metros também somaram 1.457 ppm de óxidos de terras raras usadas em ímãs.

Para que serve o ítrio

O presidente da IMC, Frank Scolaro, disse que o ítrio é usado em equipamentos de fabricação de semicondutores, peças aeroespaciais, lasers e cerâmicas avançadas, e que a descoberta pode mudar o produto que a empresa pretende vender.

Até agora, o foco do projeto eram o disprósio e o térbio, terras raras pesadas usadas em ímãs permanentes de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. O ítrio entraria como um terceiro metal no mesmo depósito.

Scolaro afirmou que o trabalho, agora, é descobrir até onde vão as duas zonas e confirmar, em laboratório, quanto do ítrio pode de fato ser extraído da argila.

Ainda não é recurso

A própria IMC faz a ressalva. As zonas de ítrio são resultados de exploração, sem pesquisa suficiente para estimar um recurso mineral, e não há estudo econômico para os blocos H e D.

Material dos furos será enviado à ANSTO, agência nuclear e de pesquisa da Austrália, para testes metalúrgicos que vão medir a extração do ítrio de forma direta. O Bloco H também terá novos furos de adensamento e de extensão.

As amostras são coletadas a cada metro, em furos verticais, e analisadas no laboratório da ALS em Vespasiano, na Grande BH. O responsável técnico é o geólogo Alexandre Magno da Rocha, diretor da empresa.

Segundo o comunicado, Rocha tem mais de 40 anos de exploração mineral e participou da descoberta de depósitos de argila iônica como Monte Alto, na Bahia, o Pela Ema, da Serra Verde, e o Carina, da Aclara, ambos em Goiás.

Um projeto de 1,1 bilhão de toneladas

O Itarantim é um depósito de argila iônica que se estende entre a Bahia e Minas Gerais, a cerca de 10 quilômetros da cidade de Itarantim. A IMC estima ali 1,1 bilhão de toneladas de recursos inferidos.

Em setembro, a empresa informou ter produzido o primeiro carbonato misto de terras raras do projeto, com recuperação de térbio de até 95,2% em testes feitos com o Instituto Federal do Rio Grande do Norte.

Os testes usaram material de um domínio de 105,8 milhões de toneladas de recursos inferidos, com teor médio de 8 ppm de térbio, segundo a reportagem da Interesting Engineering sobre os resultados divulgados em setembro.

Em 8 de outubro, a IMC já tinha anunciado uma zona de térbio de alto teor e perto da superfície no mesmo Bloco H, no mesmo furo AD-00555 que agora revelou o ítrio.

US$ 20 milhões levantados em Nova York

A empresa chegou à NYSE American em julho, com uma oferta inicial de US$ 20 milhões, cerca de R$ 101 milhões na época, segundo a CNN Brasil. A IMC não tem mina em operação nem receita.

Do dinheiro líquido, a previsão era aplicar US$ 13 milhões na exploração do Itarantim, incluindo cerca de 175 novos furos, e US$ 2 milhões em licenciamento e autorizações.

O mercado não comemorou o ítrio. No dia do anúncio, as ações da IMC caíram 5,8%, para US$ 10,47, segundo o portal canadense Baystreet.

Itarantim já discute a mineração

A cidade não é estranha ao tema. Em abril, segundo o Brasil de Fato, moradores das comunidades de Córgão e Palmeiras pararam o trabalho de outra empresa de pesquisa mineral, a Cacto Consultoria, na zona rural do município.

Eles citaram uma lei de iniciativa popular, aprovada em 2025, que protege serras e nascentes. A Cacto disse ter autorização da ANM e negou desrespeitar a lei. Não há informação de vínculo entre ela e a IMC.

O mesmo levantamento apontava 213 processos minerários na ANM em Itarantim, 14,3% deles para pesquisa de terras raras. Em 2025, o Mineração Brasil já mostrava a corrida por terras raras em Poços de Caldas.

Os próximos passos

Antes de qualquer mina, o projeto ainda precisa de mais sondagem, testes metalúrgicos, estudos ambientais, avaliação econômica e licenciamento, como a própria empresa reconheceu ao abrir capital nos Estados Unidos.

Você mora no sul da Bahia ou no nordeste de Minas e acha que o ítrio e as outras terras raras de Itarantim vão virar emprego na região?

 

Por Paulo Nogueira - Mineração Brasil