Petrobras quer retornar à distribuição de GLP em um momento de reformulação das regras do setor.
O conselho de administração da Petrobras aprovou o retorno da estatal ao segmento de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), o "gás de botijão", em meio às discussões sobre uma reforma regulatória no segmento.
- A proposta partiu da conselheira representante dos trabalhadores, Rosangela Buzanelli, e foi apoiada por todo o conselho. O movimento está ancorado no aumento das margens do segmento nos últimos anos.
- As margens líquidas do setor dispararam 188% entre 2010 e 2023, segundo cálculos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Como comparação, a inflação, medida pelo IGP-M, apresentou um aumento de 48% no período.
- "Qual foi o negócio que em tão curto período de tempo aumentou sua atratividade em 188%? É disso que nós estamos falando. Nós não vamos, de jeito nenhum, nos autolimitar", disse a presidente da estatal, Magda Chambriard na sexta-feira (8/8).
Por se tratar de um setor que cresce abaixo do PIB e exige capital inicial alto, a Petrobras é vista como uma das poucas companhias que de fato teriam estrutura para entrar no segmento no Brasil hoje.
- "Além da Petrobras, vemos perspectivas limitadas para novas entradas significativas, já que barreiras estruturais e longos horizontes de retorno continuam a impedir a entrada de potenciais participantes no mercado", afirmam os analistas do BTG Pactual, Luiz Carvalho e Gustavo Cunha, em relatório elaborado ao final de julho, antes da decisão da estatal de retornar ao segmento.
- A Petrobras deixou essa área em 2021, com a venda da Liquigás.
O retorno não agradou ao mercado financeiro: as ações da Petrobras tiveram forte queda na sexta (8).
- Parte do movimento também reflete a expectativa de maior pagamento de dividendos, que acabou frustrada.
- Chambriard minimizou: "Quem apostar contra a Petrobras vai perder dinheiro", afirmou.
A decisão da companhia ocorre num momento em que a ANP debate uma ampla reforma no segmento, que inclui a recarga fracionada dos botijões de uso doméstico, além da possibilidade de enchimento por marcas diferentes daquela que consta no rótulo. Entenda quais são as propostas.
O mercado financeiro alerta que as alterações nas regras podem pressionar as margens na distribuição de GLP.
- Os analistas apontam que as altas margens são resultado justamente de décadas de investimento em cilindros que agora estão totalmente depreciados.
- "Longe de promover a concorrência ou a acessibilidade, as mudanças regulatórias podem abrir caminho para a informalidade, comprometer a segurança e prejudicar o próprio investimento necessário para expandir o acesso por meio de programas como o Gás para Todos", diz o BTG.
Por falar nisso... Em paralelo, o governo trabalha para lançar um novo programa para ampliar o subsídio na compra de botijões para a população, o Gás para Todos.
- O novo modelo do vale-gás estava nas pautas de discussão da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) prevista para 5 de agosto — que foi adiada justamente a pedido de Chambriard.
- A expectativa é da publicação de uma medida provisória para a ampliação do programa, o que pode ocorrer sem passar pelo CNPE.
É um segmento estratégico para o país: tem impacto direto na vida do consumidor, sobretudo da população mais pobre, e está ligado não apenas à pobreza energética, mas também à segurança alimentar.
- Vale lembrar que o assunto também tende a ganhar destaque em 2026, ano de eleições.
- O Brasil tem o maior volume de botijões de toda a América Latina, com 130 milhões de unidades em circulação, ante 20 milhões no México.
Por Eixos.com.br













Comentários (0)
Comentários do Facebook