Ibama autoriza mina de titânio no RS com investimento que pode chegar a R$ 1,7 bilhão
Projeto tem potencial para gerar cerca de 350 empregos diretos e até 3 mil indiretos, movimentando setores como transporte, segurança e alimentação
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a Licença de Instalação (LI) para a implantação da mina de titânio do Projeto Retiro, em São José do Norte, no sul do Rio Grande do Sul. A autorização foi emitida em 20 de maio e marca um passo decisivo para a Rio Grande Mineração (RGM), empresa responsável pelo empreendimento.
A expectativa é de que o investimento no projeto atinja até R$ 1,7 bilhão, com potencial para gerar cerca de 350 empregos diretos e até 3 mil indiretos, movimentando setores como transporte, segurança e alimentação na região. A operação efetiva da mina, no entanto, não deve começar antes de 2027.
O projeto autorizado abrange uma área de aproximadamente 1.800 hectares conhecida como Retiro Central, onde cerca de 90% do território já está ocupado com plantações de pinus — vegetação exótica e considerada invasora. O fato de não haver necessidade de supressão de vegetação nativa foi um dos fatores que favoreceram a liberação ambiental.
A concessão da LI representa a segunda etapa do processo de licenciamento ambiental, que teve início em 2017 com a emissão da Licença Prévia (LP). Com a nova autorização, a empresa pode iniciar os preparativos técnicos e financeiros, incluindo planejamento operacional e estruturação do modelo de negócios. A operação comercial, no entanto, depende da conclusão de estudos e não está prevista para os próximos dois anos.
Extração com baixo impacto químico
A mineração será realizada por dragagem a céu aberto, com processos físicos de separação do minério, sem o uso de produtos químicos. O método prevê a extração de ilmenita e rutilo — minerais de titânio — além de zirconita. A operação envolverá duas frentes de lavra, cada uma equipada com draga e planta de concentração, alcançando uma capacidade de processamento de até 23,7 milhões de toneladas de minério por ano.
A produção anual estimada é de 347 mil toneladas de ilmenita, 4,5 mil de rutilo e 46 mil de zirconita. O material será transportado ao Porto do Rio Grande para exportação, enquanto o mercado interno será atendido por rodovias, especialmente pela BR-101.
Impacto regional e futuras expansões
A expectativa da RGM é de que o projeto tenha um ciclo de vida de até 35 anos. A empresa também avalia a possibilidade de expandir suas atividades para outras áreas da região costeira, como Bojuru e Capão do Meio, embora qualquer avanço dependa de novos licenciamentos ambientais e da viabilidade econômica.
Mesmo com a liberação ambiental, o projeto ainda enfrenta resistência local. O prefeito de São José do Norte, Neromar Guimarães (União), expressou preocupação quanto à falta de informações claras sobre os impactos socioambientais da atividade mineradora, conforme divulgado pela prefeitura em seu site oficial.
Contrapartidas e compromissos ambientais
A RGM deverá cumprir exigências de contrapartidas socioambientais impostas pelo Ibama, que podem incluir a criação de áreas de preservação, apoio a comunidades tradicionais e ações de prevenção ambiental. A empresa lamenta, no entanto, que não possa decidir diretamente sobre a aplicação desses recursos, já que a destinação é definida exclusivamente pelo órgão ambiental.
Nos últimos anos, a mineradora afirma ter mantido uma atuação comunitária na região, com destaque para ações humanitárias durante enchentes, como o uso de maquinário próprio e a distribuição de cestas básicas.
Com a licença em mãos, a Rio Grande Mineração entra agora em uma nova fase do projeto, marcada por desafios técnicos, logísticos e regulatórios. A operação promete transformar a economia local e recolocar o Brasil na rota da produção de titânio, mineral estratégico que o país passou a importar nos últimos anos.
Por Portal de Notícias













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