Vale admite estudar compra da Bamin
Extração na mina Pedra de Ferro, obras de trecho da Fiol e porto precisam de aporte de R$ 30 bi
A Vale admite que está analisando a compra da Bahia Mineração (Bamin), em processo de due diligence, próprio de companhias que analisam cuidadosamente a possibilidade de aquisição de outras empresas. O projeto exige investimentos estimados em R$ 30 bilhões.
A revelação foi feita pelo presidente da Vale, Gustavo Pimenta, durante entrevista na terça-feira (3) após o seu primeiro Vale Day, desde que assumiu o comando da mineradora, na Bolsa de Nova York. Foi a primeira vez que a Vale admitiu oficialmente estudar esse projeto.
"A Bamin é um dos tantos projetos que avaliamos, mas não tem nenhuma aprovação. É somente dever de diligência que nossa equipe tem que fazer", disse Pimenta a jornalistas em Nova York.
O projeto da Bamin inclui a operação da mina Pedra de Ferro, em Caetité (BA), um trecho da Ferrovia Oeste-Leste (Fiol) e um terminal portuário em Ilhéus (BA) , o Porto Sul, para o embarque do minério de ferro produzido.
Mesmo com seu potencial, a negociação ainda depende de muitos fatores, incluindo as estratégias de mercado e o aval dos acionistas da Vale.
A Bamin ocupa uma posição estratégica como player global na produção e comercialização de minério de ferro, produzido em Caetité. A imprensa já havia noticiado que o governo federal tem interesse que a Vale compre o ativo.
Para sair do papel, a negociação envolve dois desafios. O primeiro é a liberação de financiamentos por parte de instituições financeiras públicas ou de verbas do próprio Orçamento. Já a segunda envolve um plano de aquisição da empresa, que desde 2010 é controlada pela Eurasian Resources Group (ERG), com origem no Cazaquistão e sede em Luxemburgo.
A Bamin está pedindo US$ 1,2 bilhão pela empresa, alegando que este é o valor que aportou até hoje na companhia. O montante não considera o que o grupo pagou ao comprar a empresa em duas parcelas, uma paga em 2008 e outra em 2010, no total de US$ 1 bilhão.
A compra do complexo industrial está sendo analisada dentro da Vale pela diretoria de fusões e aquisições. Segundo informações de fontes próximas à negociação, ela se daria por meio de um consórcio, que envolveria também a Cedro, uma mineradora de médio porte de Minas Gerais, e o BNDESPar, o braço de investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O desenho preliminar do negócio prevê que a Vale ficaria com 50% a 60% do capital, a Cedro com algo entre 20% e 30% e o BNDESPar, até 20%. O controle da sociedade seria compartilhado, por se tratar de uma joint venture. Nesse desenho, a mineradora baiana teria uma gestão operacional independente.
Para ficar mais atrativa, a empresa recebeu um impulso do governo federal e, no fim de setembro, ganhou prioridade para um empréstimo de R$ 4,6 bilhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM).
O objetivo é ajudar a viabilizar a construção do Porto Sul, cujo investimento é orçado em US$ 1,3 bilhão. As obras do terminal portuário e do trecho da Fiol estão praticamente paralisadas neste momento.
Pelo que tem sido conversado pelas partes envolvidas, o BNDES será o agente financeiro que viabilizará o crédito, mas não há aprovação para o projeto até o momento. Em até 100 dias, a Bamin terá de apresentar o plano e o cronograma de desembolsos. A Cedro e a Bamin não comentam o assunto.
Alinhado com visão 2030
Na apresentação do Vale Day, Pimenta deixou claro que os projetos da empresa terão que se encaixar no tripé alinhado com a visão 2030 da companhia: um portfólio superior de produtos, a proximidade com os clientes e o foco voltado para o resultado.
Essa visão deverá ser a base para que a empresa consiga navegar nos próximos anos por um cenário internacional mais difícil no mercado de minério de ferro, com expectativa de desaceleração da economia chinesa e maior protecionismo no mercado siderúrgico dos Estados Unidos. Com informações do Valor Econômico, Bahia Econômica e BA de Valor.
Por https://www.noticiasdemineracao.com/













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